
Músico, Igreja, Músico de Igreja...
Opa... ó nóis aqui de novo...
Ouvindo Mr. Big – Undertow, eu inicio este post que pode ser polêmico, ou não, sei lá...
Vou falar hoje de uma situação chata que eu passo sempre... Como vocês sabem (se não sabe vai lá ao primeiro post que lá eu expliquei) eu sou cristão, músico, e por consequência toco na minha igreja.
A questão é que nas igrejas atualmente existem uma depreciação grande da “arte de ser músico”. Deparamo-nos diversas vezes com ministrações (que são para o público “não igreja” apresentações) sem ensaio, sem dedicação, ou com ensaios desleixados e sem afinco. Não foi uma vez que eu escutei o termo “vamos tocar que Deus abençoa”, como assim?? Vamos tocar que Deus abençoa? Por acaso nunca leram a parábola dos talentos? Está claro lá que o servo mal foi o que não batalhou e procurou valorizar e multiplicar os talentos deixados pelo seu chefe! Justamente por virar para o chefe e dizer “Tá aqui o que o senhor me deu, eu guardei direitinho e não perdi, está aí” que ele foi considerado um servo mau e negligente!
Estou cansado de “tocadores” de igreja que não se preocupam com aprimorar a parte técnica, estou cheio do papo 100% espiritual 0% técnica! Temos que ter uma conduta correta diante de Deus INDEPENDENTE de sermos músicos ou não, quem exerce a função de Músico/Levita na igreja não tem que ser mais santo do que os outros, TODOS devem seguir uma conduta diante de Deus como filhos obedientes aos Seus preceitos... O que o músico deve fazer a mais, na parte espiritual, é pedir a Deus direção e discernimento para procurar e angariar conhecimento e colocar em prática nas suas ministrações.
Não estou cobrando que todos os guitarristas de igreja se tornem “Satrianis”, “Petruccis”, “Gilberts”, ou que só tenha “Portnoys” nas baterias das igrejas, nada disso... Só não gostaria de ver pessoas acomodadas, sem vontade de crescer, sem “ambição musical”, o típico “ah tá bom, Deus recebe porque Ele vê meu coração”, SIM, Ele vê inclusive se no teu coração existe vontade de crescer e melhorar a cada dia, ou se está satisfeito com o pouco que faz.
Uma vez ouvi uma frase excepcional que é a síntese do que eu gostaria de ver nos músicos das igrejas: “Você está satisfeito com o que toca? Se sim, você é um músico ridículo e não vai chegar a lugar algum, se não, com perseverança e força de vontade você será um músico relevante”. TODOS deveriam pensar assim, é simples e fácil.
Aí vem a seguinte situação: “mas eu não tenho tempo para me dedicar, eu não posso fazer mais do que eu estou fazendo” etc, etc... Aí entra outra parte polêmica da minha forma de ver as coisas. Para mim, falta pulso dos líderes para simplesmente dar espaço aos que querem “gastar” seu tempo com dedicação, estudo e aprimoramento técnico, e tirar, sim TIRAR, os que estão ali ocupando espaço sem dar o seu melhor, ou sem pelo menos buscar melhora. Se não tem tempo para se dedicar, então você não pode tocar, você não é um músico! A filosofia de que se deve dar oportunidade a todos, que todos podem estar lá, está matando a área musical de muitas igrejas. Em grandes igrejas organizadas, como Igreja Batista da Lagoinha, Igreja Batista Getsêmani, Oitava Igreja Presbiteriana (para citar três daqui de BH, que eu acompanho), existe uma seleção para entrar no ministério de louvor. Seleção que avalia a técnica dos candidatos, e seleciona aqueles que têm um mínimo de habilidade para estar manuseando um instrumento.
Podemos abrir espaços? Podemos. “Mas se simplesmente retirar os que não são tão bons, cria-se uma panela e os mais ‘fracos’ nunca terão oportunidade”. Errado. Para os que não sabem, toda igreja tem seus cultos “mais importantes” e os “menos importantes”, onde se avalia média de público, ocasião, horário, etc. É possível criar grupos oficiais (dependendo do número de músicos capacitados da igreja), e grupos secundários (onde serão incluídos aqueles que tem menos habilidade técnica). Os grupos oficiais participam dos cultos “mais importantes”, para vocês terem uma ideia, na igreja onde estou inserido os cultos “mais importantes” são os de quarta-feira a noite, e domingo a noite. Os grupos secundários participariam dos cultos “menos importantes”, sexta, sábado e domingo pela manhã, no contexto da ‘minha’ igreja. Tá vendo? Todo mundo tocou e teve oportunidade, quer tocar nos cultos “mais importantes”? Cresça tecnicamente falando, algum responsável designado previamente sempre estaria observando os grupos, inclusive os oficiais para identificar possíveis relaxamentos, e no tempo devido daria oportunidade de avanço na “hierarquia musical” da igreja.
Isso tudo que eu falei é meio utópico? Sei lá, eu acho perfeitamente possível de ser colocado em prática, mas não sou parte da cúpula de uma igreja, então é apenas uma opinião de quem vive no meio da música dentro da igreja.
Escolhi mais uma capa do Pink Floyd para ilustrar este post... Não se enganem, para mim, os interessados e dedicados são os que estão pegando fogo, ardendo por algo que amam. Mas que precisam conviver com alguns que estão ali, sem tesão nenhum, sem interesse, sem vontade. Não é de hoje que olhamos nos olhos de instrumentistas assim e dizemos no fundo do coração :
“How I wish, how I wish you were here... We’re just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year”
Este post surgiu depois de uma troca de ideias com meu irmão quase de sangue Luciano Sena. Abração brother!
Mais pra frente eu falo sobre outro assunto mais ou menos como este, Música de igreja/Música para igreja/Música Cristã.
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Hoje vale um PS...
Ontem peguei minha guitarra no luthier. Fizeram um trabalho excepcional, liguei ela ontem no POD, ouvindo no fone ficou maravilhoso, depois liguei no sistema de som da Igreja Assembléia de Deus no bairro Milionários (já fui técnico de áudio lá, ontem fui dar uma ajuda a meus familiares que estavam com dificuldades de acertar o som lá – detalhe: COMO UM SOM PROJETADO É TÃO MAIS FÁCIL DE LIDAR!) e ficou espantosamente bom!!!
Recebi também o cronograma de ensaios para o musical da virada do ano e estou com POUQUÍSSIMO, quase nenhum, tempo neste fim de ano, agora é ensaiar, tocar, trabalhar e passar aqui rapidinho!
Termino com Oasis – Stop Crying your heart out, música linda. Sim, eu gosto de Oasis, não tudo, mas algumas músicas são sensacionais!
Abraço povo!
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