
E aí galerê, bão???
Quero de antemão pedir desculpas pelo sumiço do dia 24/12. Foi um dia extremamente corrido e não deu mesmo para passar por aqui nem para deixar um cumprimento. Mas aproveitando a oportunidade, desejo que o natal de vocês tenha sido excepcional, assim como desejo que o ano que está por vir também seja... Desde já, Boas Festas e Feliz 2011!
Passadas as desculpas e desejos de bons acontecimentos a todos, vamos lá, estou aqui ouvindo Neal Morse – The Creation, do Álbum One... E fico, de certa forma, abismado da forma com que as coisas são colocadas nas músicas dele.
Mas o foco aqui na verdade é a forma que enxergamos a música. O que enxergamos na música? É muito subjetivo com certeza, mas falando sobre algo mais técnico, quais são as partes de uma música?
- Letra
- Melodia
- Ritmo
- Arranjos (este último faz parte, de certa forma, da melodia, mas na minha concepção deve ser considerado outra parte).
Agora vem a parte em que eu discordo de quase todo mundo...
Qual o “peso” de importância de cada uma dessas partes em uma música?
Muitos defendem que a letra é o mais importante, já que ela é a parte mais entendível da música, por onde chega a mensagem a quem está ouvindo... Já melodia é importante, não tanto quanto a letra, ela tem a mesma importância do ritmo, juntos trazem emoção à letra que está sendo cantada/falada.
Aliás, esta é a visão geral do mercado e de muitos que atuam no meio musical atualmente. Produtores, arranjadores, donos de estúdio, donos de gravadoras, a maioria esmagadora pensa desta maneira, e de certa forma impõe esta “verdade” a todos... Músicos, ouvintes, leigos, todos ouvem desde cedo esta “verdade” e a tomam como imutável e inquestionável, até porque é assim que funciona na indústria de onde sai o dinheiro que movimenta o mercado.
A minha opinião é radicalmente diferente. Para mim, a letra não tem de forma alguma peso maior do que a melodia ou o ritmo. Eles estão em patamar totalmente igual!
Uma das coisas que mais me deixa indignado é a frase “Aí essa hora você coloca um solo aí de dois compassos”. Dá vontade de responder “tá, daí você faz uma letra aí com 4 palavras para essa parte aqui, ok?”, ou então “faz uma introdução aí de uns 30 segundos”, ou pior “faz uma sequência mais ou menos parecida com a padrão aí e termina a música”.
Aí aqui entra outra questão, qual a diferença de música simples para música feita “pelas coxas”?
Porque os mais extremistas já virão apedrejando, falando “música com mais de 4 minutos e meio é chata demais, não dá”. Não estou aqui levantando a bandeira do Progressivo e dizendo que é só de lá que vem músicas boas. É FATO que existem músicas boas estruturalmente falando, desde pagode até o metal extremo.
Eu mesmo tenho me voltado mais para uma área que conheço pouco, a música POP bem feita, bem trabalhada. Alguns exemplos são John Mayer, Michael W. Smith, Resgate, Michael Jackson (The King), Mr. Big, Rosa de Saron, enfim… Um pessoal que não faz música com mais de 5 minutos, mas não simplesmente tocam qualquer coisa pelas coxas.
Mas voltando lá ao peso das partes de uma música... Para mim, uma introdução tem que falar algo, assim como um solo, ou um Outro (parte final das músicas, aquele instrumentalzinho que geralmente tem antes de terminar)... E é justamente por isto que eu gosto MUITO de músicas no estilo progressivo. Nunca é feito uma introdução por fazer (pelo menos no que eu ouço de progressivo), um solo ou coisa assim, existem músicas de 1:30 (Pigs on the Wing Pt.I, ou Pt. II), e músicas de mais de 50 minutos! Tudo com seu devido sentido, e sem enrolação...
Não estou aqui para obrigar ninguém a ouvir essas músicas, tem que existir uma disposição de entendê-las, e nem todo mundo tem, mas para estas pessoas existem os John Mayers da vida, ou seja, as músicas mais acessíveis, pequenas, “simples”.
Mas novamente digo, se você nunca deu uma chance a músicas grandes, dê pelo menos uma. De preferência ouça com alguém que já a conhece e goste, não para te convencer que é boa, mas para te explicar as várias abordagens tratadas na música em questão, porque de início pode parecer complicado, você ficar perdido, achar que é enrolação e deixar de lado. Na certa você vai meter o pau assim que alguém te perguntar o que acha... Não estou dizendo que vai virar fã de progressivo, deixar o cabelo e a barba crescer, começar a tocar guitarra com distorção e flauta ao mesmo tempo e usar LSD, mas você vai parar e dizer: “Não é o tipo de música que eu paro para ouvir, ou compro CD. Mas é uma música muito inteligente, coesa e tocante!”.
De The Creation eu tiro a frase final, que é o que eu quero para os amantes da música simples e da música complexa...
...We can walk his way!


