quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Música, arte que ultrapassa seus limites…


E aí galerê, bão???

Quero de antemão pedir desculpas pelo sumiço do dia 24/12. Foi um dia extremamente corrido e não deu mesmo para passar por aqui nem para deixar um cumprimento. Mas aproveitando a oportunidade, desejo que o natal de vocês tenha sido excepcional, assim como desejo que o ano que está por vir também seja... Desde já, Boas Festas e Feliz 2011!

Passadas as desculpas e desejos de bons acontecimentos a todos, vamos lá, estou aqui ouvindo Neal Morse – The Creation, do Álbum One... E fico, de certa forma, abismado da forma com que as coisas são colocadas nas músicas dele.

Mas o foco aqui na verdade é a forma que enxergamos a música. O que enxergamos na música? É muito subjetivo com certeza, mas falando sobre algo mais técnico, quais são as partes de uma música?

- Letra

- Melodia

- Ritmo

- Arranjos (este último faz parte, de certa forma, da melodia, mas na minha concepção deve ser considerado outra parte).

Agora vem a parte em que eu discordo de quase todo mundo...

Qual o “peso” de importância de cada uma dessas partes em uma música?

Muitos defendem que a letra é o mais importante, já que ela é a parte mais entendível da música, por onde chega a mensagem a quem está ouvindo... Já melodia é importante, não tanto quanto a letra, ela tem a mesma importância do ritmo, juntos trazem emoção à letra que está sendo cantada/falada.

Aliás, esta é a visão geral do mercado e de muitos que atuam no meio musical atualmente. Produtores, arranjadores, donos de estúdio, donos de gravadoras, a maioria esmagadora pensa desta maneira, e de certa forma impõe esta “verdade” a todos... Músicos, ouvintes, leigos, todos ouvem desde cedo esta “verdade” e a tomam como imutável e inquestionável, até porque é assim que funciona na indústria de onde sai o dinheiro que movimenta o mercado.

A minha opinião é radicalmente diferente. Para mim, a letra não tem de forma alguma peso maior do que a melodia ou o ritmo. Eles estão em patamar totalmente igual!

Uma das coisas que mais me deixa indignado é a frase “Aí essa hora você coloca um solo aí de dois compassos”. Dá vontade de responder “tá, daí você faz uma letra aí com 4 palavras para essa parte aqui, ok?”, ou então “faz uma introdução aí de uns 30 segundos”, ou pior “faz uma sequência mais ou menos parecida com a padrão aí e termina a música”.

Aí aqui entra outra questão, qual a diferença de música simples para música feita “pelas coxas”?

Porque os mais extremistas já virão apedrejando, falando “música com mais de 4 minutos e meio é chata demais, não dá”. Não estou aqui levantando a bandeira do Progressivo e dizendo que é só de lá que vem músicas boas. É FATO que existem músicas boas estruturalmente falando, desde pagode até o metal extremo.

Eu mesmo tenho me voltado mais para uma área que conheço pouco, a música POP bem feita, bem trabalhada. Alguns exemplos são John Mayer, Michael W. Smith, Resgate, Michael Jackson (The King), Mr. Big, Rosa de Saron, enfim… Um pessoal que não faz música com mais de 5 minutos, mas não simplesmente tocam qualquer coisa pelas coxas.

Mas voltando lá ao peso das partes de uma música... Para mim, uma introdução tem que falar algo, assim como um solo, ou um Outro (parte final das músicas, aquele instrumentalzinho que geralmente tem antes de terminar)... E é justamente por isto que eu gosto MUITO de músicas no estilo progressivo. Nunca é feito uma introdução por fazer (pelo menos no que eu ouço de progressivo), um solo ou coisa assim, existem músicas de 1:30 (Pigs on the Wing Pt.I, ou Pt. II), e músicas de mais de 50 minutos! Tudo com seu devido sentido, e sem enrolação...

Não estou aqui para obrigar ninguém a ouvir essas músicas, tem que existir uma disposição de entendê-las, e nem todo mundo tem, mas para estas pessoas existem os John Mayers da vida, ou seja, as músicas mais acessíveis, pequenas, “simples”.

Mas novamente digo, se você nunca deu uma chance a músicas grandes, dê pelo menos uma. De preferência ouça com alguém que já a conhece e goste, não para te convencer que é boa, mas para te explicar as várias abordagens tratadas na música em questão, porque de início pode parecer complicado, você ficar perdido, achar que é enrolação e deixar de lado. Na certa você vai meter o pau assim que alguém te perguntar o que acha... Não estou dizendo que vai virar fã de progressivo, deixar o cabelo e a barba crescer, começar a tocar guitarra com distorção e flauta ao mesmo tempo e usar LSD, mas você vai parar e dizer: “Não é o tipo de música que eu paro para ouvir, ou compro CD. Mas é uma música muito inteligente, coesa e tocante!”.

De The Creation eu tiro a frase final, que é o que eu quero para os amantes da música simples e da música complexa...

...We can walk his way!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

How I wish you were here...


Músico, Igreja, Músico de Igreja...

Opa... ó nóis aqui de novo...

Ouvindo Mr. Big – Undertow, eu inicio este post que pode ser polêmico, ou não, sei lá...

Vou falar hoje de uma situação chata que eu passo sempre... Como vocês sabem (se não sabe vai lá ao primeiro post que lá eu expliquei) eu sou cristão, músico, e por consequência toco na minha igreja.

A questão é que nas igrejas atualmente existem uma depreciação grande da “arte de ser músico”. Deparamo-nos diversas vezes com ministrações (que são para o público “não igreja” apresentações) sem ensaio, sem dedicação, ou com ensaios desleixados e sem afinco. Não foi uma vez que eu escutei o termo “vamos tocar que Deus abençoa”, como assim?? Vamos tocar que Deus abençoa? Por acaso nunca leram a parábola dos talentos? Está claro lá que o servo mal foi o que não batalhou e procurou valorizar e multiplicar os talentos deixados pelo seu chefe! Justamente por virar para o chefe e dizer “Tá aqui o que o senhor me deu, eu guardei direitinho e não perdi, está aí” que ele foi considerado um servo mau e negligente!

Estou cansado de “tocadores” de igreja que não se preocupam com aprimorar a parte técnica, estou cheio do papo 100% espiritual 0% técnica! Temos que ter uma conduta correta diante de Deus INDEPENDENTE de sermos músicos ou não, quem exerce a função de Músico/Levita na igreja não tem que ser mais santo do que os outros, TODOS devem seguir uma conduta diante de Deus como filhos obedientes aos Seus preceitos... O que o músico deve fazer a mais, na parte espiritual, é pedir a Deus direção e discernimento para procurar e angariar conhecimento e colocar em prática nas suas ministrações.

Não estou cobrando que todos os guitarristas de igreja se tornem “Satrianis”, “Petruccis”, “Gilberts”, ou que só tenha “Portnoys” nas baterias das igrejas, nada disso... Só não gostaria de ver pessoas acomodadas, sem vontade de crescer, sem “ambição musical”, o típico “ah tá bom, Deus recebe porque Ele vê meu coração”, SIM, Ele vê inclusive se no teu coração existe vontade de crescer e melhorar a cada dia, ou se está satisfeito com o pouco que faz.

Uma vez ouvi uma frase excepcional que é a síntese do que eu gostaria de ver nos músicos das igrejas: “Você está satisfeito com o que toca? Se sim, você é um músico ridículo e não vai chegar a lugar algum, se não, com perseverança e força de vontade você será um músico relevante”. TODOS deveriam pensar assim, é simples e fácil.

Aí vem a seguinte situação: “mas eu não tenho tempo para me dedicar, eu não posso fazer mais do que eu estou fazendo” etc, etc... Aí entra outra parte polêmica da minha forma de ver as coisas. Para mim, falta pulso dos líderes para simplesmente dar espaço aos que querem “gastar” seu tempo com dedicação, estudo e aprimoramento técnico, e tirar, sim TIRAR, os que estão ali ocupando espaço sem dar o seu melhor, ou sem pelo menos buscar melhora. Se não tem tempo para se dedicar, então você não pode tocar, você não é um músico! A filosofia de que se deve dar oportunidade a todos, que todos podem estar lá, está matando a área musical de muitas igrejas. Em grandes igrejas organizadas, como Igreja Batista da Lagoinha, Igreja Batista Getsêmani, Oitava Igreja Presbiteriana (para citar três daqui de BH, que eu acompanho), existe uma seleção para entrar no ministério de louvor. Seleção que avalia a técnica dos candidatos, e seleciona aqueles que têm um mínimo de habilidade para estar manuseando um instrumento.

Podemos abrir espaços? Podemos. “Mas se simplesmente retirar os que não são tão bons, cria-se uma panela e os mais ‘fracos’ nunca terão oportunidade”. Errado. Para os que não sabem, toda igreja tem seus cultos “mais importantes” e os “menos importantes”, onde se avalia média de público, ocasião, horário, etc. É possível criar grupos oficiais (dependendo do número de músicos capacitados da igreja), e grupos secundários (onde serão incluídos aqueles que tem menos habilidade técnica). Os grupos oficiais participam dos cultos “mais importantes”, para vocês terem uma ideia, na igreja onde estou inserido os cultos “mais importantes” são os de quarta-feira a noite, e domingo a noite. Os grupos secundários participariam dos cultos “menos importantes”, sexta, sábado e domingo pela manhã, no contexto da ‘minha’ igreja. Tá vendo? Todo mundo tocou e teve oportunidade, quer tocar nos cultos “mais importantes”? Cresça tecnicamente falando, algum responsável designado previamente sempre estaria observando os grupos, inclusive os oficiais para identificar possíveis relaxamentos, e no tempo devido daria oportunidade de avanço na “hierarquia musical” da igreja.

Isso tudo que eu falei é meio utópico? Sei lá, eu acho perfeitamente possível de ser colocado em prática, mas não sou parte da cúpula de uma igreja, então é apenas uma opinião de quem vive no meio da música dentro da igreja.

Escolhi mais uma capa do Pink Floyd para ilustrar este post... Não se enganem, para mim, os interessados e dedicados são os que estão pegando fogo, ardendo por algo que amam. Mas que precisam conviver com alguns que estão ali, sem tesão nenhum, sem interesse, sem vontade. Não é de hoje que olhamos nos olhos de instrumentistas assim e dizemos no fundo do coração :

How I wish, how I wish you were here... We’re just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year

Este post surgiu depois de uma troca de ideias com meu irmão quase de sangue Luciano Sena. Abração brother!

Mais pra frente eu falo sobre outro assunto mais ou menos como este, Música de igreja/Música para igreja/Música Cristã.

--------------------------

Hoje vale um PS...

Ontem peguei minha guitarra no luthier. Fizeram um trabalho excepcional, liguei ela ontem no POD, ouvindo no fone ficou maravilhoso, depois liguei no sistema de som da Igreja Assembléia de Deus no bairro Milionários (já fui técnico de áudio lá, ontem fui dar uma ajuda a meus familiares que estavam com dificuldades de acertar o som lá – detalhe: COMO UM SOM PROJETADO É TÃO MAIS FÁCIL DE LIDAR!) e ficou espantosamente bom!!!

Recebi também o cronograma de ensaios para o musical da virada do ano e estou com POUQUÍSSIMO, quase nenhum, tempo neste fim de ano, agora é ensaiar, tocar, trabalhar e passar aqui rapidinho!

Termino com Oasis – Stop Crying your heart out, música linda. Sim, eu gosto de Oasis, não tudo, mas algumas músicas são sensacionais!


Abraço povo!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vamos deixar quem criou este mundo, tão lindo como era, cuidar de tudo pra nós...


Hello Everyone!

Ouvindo Jonh Mayer – Belief eu inicio esse novo post, vou manter assim, Quartas e Sextas postando aqui, até segunda ordem.

A repercussão do primeiro post foi bacana, algumas pessoas gostaram, outras nem viram, só vão ver quando eu mandar um e-mail daqui a pouco divulgando o blog...

Ainda pegando um pouco de gancho no outro post... Eu quero um 2011 mais organizado do que foi meu 2010. Quero um ano mais tranquilo e com resultados de ações um pouco mais previsíveis, não quero constantemente me deparar com alguma situação que não esperava e ter que tomar uma decisão sem ter tempo de pensar como serão as consequências dessa decisão mais a frente.

Digo isso porque 2010 foi totalmente assim, estoura a bomba, apaga o fogo, depois começa a recolher as cinzas. E por vezes isso dói muito. Sendo assim, que 2011 seja o ano de “deixar quem criou este cara, tão lindo como era, cuidar de tudo pra mim” – pedindo aqui permissão ao pessoal do Fruto Sagrado por alterar um pouco a letra que fizeram, não deixando claro de lutar pelo o que sonho.

Uma das coisas que quero muito em 2011 é renascer como guitarrista (daí a ideia de Rebirth – Angra como ilustração do post), e já iniciei o processo de renascimento agora, em dezembro de 2010. Estou ouvindo coisas diferentes e tentando ajeitar a bagagem de forma que fique tudo bem alojado e que cada coisa tenha seu espaço quando eu for expor minhas ideias em melodias ou letras, outra coisa que voltei a me preocupar é com os meus equipamentos, adquiri a pouco tempo um POD HD400 que vai solucionar a área de timbre e efeitos, pelo menos até eu ter grana para comprar meu Mesa Boogie, no último fim de semana deixei a minha guitarra no Luthier para revisão total da parte elétrica, instalação correta dos captadores (que comprei a pouco tempo também, dois DiMarzio), e regulagem geral de tensão, troca de cordas, essas coisas que é necessário fazer com o instrumento e que, por desleixo ou falta de uso efetivo, eu deixei de fazer neste 2010.

Continuando este processo de renascimento, vem logo a seguir a minha banda e meu projeto.

Para a banda, o Chazown, os planos são gravar um EP com quatro músicas para iniciar uma pequena e tímida divulgação. E, da mesma forma que disse com relação ao renascimento como guitarrista, já iniciamos este processo também em 2010, as guias de duas músicas já foram gravadas e em Janeiro pretendemos ensaiar bastante de forma a chegar os detalhes no lugar e ver se gravamos tudo até no máximo fevereiro, afinal tem aí o Festsêmani’11 (festival de música da Igreja Batista Getsêmani), além do Festival de Inverno da I. Batista Betuel, onde podemos ter oportunidade de tocar, e até mesmo uma participação na TV que já nos foi oferecida, tendo apenas que ter algum material a apresentar.

Sobre o projeto Verticale Visie, as coisas são um pouco diferentes, até porque o projeto é meu, eu escrevi todos os arranjos/letras. Pretendo sim chamar algumas pessoas para me ajudar na gravação, que por sinal já comecei, mas num todo será “o Nylo” ali representado. Como disse, já comecei a gravação, e tenho hoje as duas primeiras músicas com o instrumental (menos as guitarras) pronto e gravado. Como terei mais tempo livre a partir de Janeiro, pretendo acelerar o ritmo da gravação para que até em Fevereiro eu termine o CD, que terá sete músicas até agora, durante o resto do processo podem ocorrer mudanças, mas acredito que não, visto que o CD é conceitual e uma autobiografia.

Como disse, com algumas mudanças que aconteceram no meu serviço terei mais tempo livre a partir de Janeiro do ano que vem, e quero muito organizar esse tempo de forma a me dedicar a esses dois projetos, sem deixar de lado também dos meus compromissos com o grupo da igreja, o Novo Tempo. Mas isso é papo para outro dia, visto que algumas mudanças podem acontecer no grupo.

Termino por hoje, agora está tocando uma das minhas preferidas do Jonh Mayer - Slow Dancing in a Burning Room, já está quase na hora de ir pra casa, ontem foi um dia decisivo por lá também, espero que seja para melhor, e é assim que será se Deus quiser...

…Found my hope and pride again, Rebirth of a man.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Será que estamos virando robôs e não estamos bem programados?


Começo este blog ao som de Andy Timmons em um vídeo para o Japão provavelmente (já que as legendas estão em Japonês), demonstrando seus timbres usando uma Ibanez em um (um não, vários) Mesa Boogie... Enfim, sonho de consumo deste guitarrista que vos fala.

Mas não é sobre guitarras, amplificadores ou equipamentos dos meus sonhos que vou falar hoje, quero falar sobre outro assunto que me preocupou muito e foi um dos que mais me motivou a ter um blog – mentira! Quero é ganhar dinheiro com propagandas, por isso, clique aí nas propagandas!! Hahahaha

Voltando a falar sério...

Ultimamente as coisas a minha volta estão loucamente diferentes. Em todos os sentidos. Ontem mesmo conversava com meu amigo e companheiro de trabalho sobre o ano de 2010, foi – ou está sendo né, visto que o ano ainda não acabou - certamente um ano de conquistas pra mim, mas DEFINITIVAMENTE está sendo também o ano mais difícil de todos! Crises pessoais, familiares, financeiras, espirituais... Meu Deus!

Antes de falar mais sobre isso, quero professar aqui a minha fé – se não curte esse papo, não precisa fechar a aba do seu Firefox/Chrome, é só pular para o próximo parágrafo! E se não utiliza Firefox/Chrome VÁ AGORA MESMO BAIXAR UM DOS DOIS. Voltando ao assunto lá da Fé, sou Cristão/Evangélico/Protestante e muito Louco. Sim, louco porque sou “crente” mas discordo de 80% das coisas que acontecem dentro da igreja. Não me considero melhor nem pior “crente” do que ninguém, mas hoje consigo conviver em um ambiente no qual eu discordo de muita coisa, mas consigo ao mesmo tempo tirar o que eu preciso espiritualmente falando... Provavelmente vamos ter oportunidades de falar mais sobre os meus questionamentos, dúvidas e revoltas contra esse sistema falido que é, hoje, a igreja evangélica – ou sua maioria – no Brasil.

Sobre o assunto central, pensei, procurei várias imagens para ilustrar esse post de hoje. Inicialmente pensei em sempre colocar capas de álbuns para ilustrar os posts, depois desisti pois algum dia pode ser que não consiga achar a capa que fale o que eu falo no post.

Enfim, depois de revirar voltei ao óbvio... The Dark Side of the Moon – Pink Floyd. Sim, nada poderia ser mais óbvio para conflitos internos, e dúvidas sobre pontos cruciais da vida do que o clássico absoluto de uma das melhores bandas de todos os tempos. Poderia simplesmente pegar algum review das letras do álbum e postar aqui que certamente seria o meu post prontinho mas vou falar um pouco ....

Estou totalmente perplexo com algumas coisas que passei a observar. A pouco tempo passei por uma dolorida separação dos meus pais, não dolorida no sentido de eu não querer que acontecesse, eu queria MUITO que acontecesse... Mas a forma que foi, tudo o que precisou ser dito, escutado, sentido física e psicologicamente, foi muito doloroso. Em alguns momentos por eu precisar segurar as pontas como se fosse de pedra, em outros por não acreditar no que acontecia diante dos meus olhos. Por fim, o que eu já passava por muito tempo mas sempre procurava resgatar foi declarado morto definitivamente: a minha (inexistente) relação com meu pai. Acho que, por mais que ela não existisse há tempos – será que um dia existiu? – doeu demais olhar para tudo o que estava acontecendo e declarar “é... realmente não tenho um pai que preste ou em quem eu possa confiar, em termos de figura paterna é Deus e só”.

Mas o que parecia que seria o início da tranquilidade parece ser o início do desconhecido... As atitudes tomadas pelos dois após o término do relacionamento é algo espantoso... Tá certo que eles querem viver a vida – e tem esse direito – mas, pelo amor de Deus, precisa virar adolescente? Precisam ter atitudes totalmente imaturas e infantis?

Estou vendo valores, que eram ferrenhamente defendidos outrora, sendo desmentidos, vejo outros valores assumindo o lugar, mas não variações dos valores anteriores, são valores totalmente opostos e que vão contra totalmente aos antigos... (Acho que ficou meio difícil de entender isso, mas não vou explicar demais senão complica)

Aí dou uma passada por uma das minhas contas em redes sociais e vejo pessoas que a pouco tempo atrás eram do meu convívio e que hoje também estão na mesma situação... Elas tiveram as mesmas oportunidades que eu, as vezes até mais, no entanto estão aí entregues a caminhos opostos, fazendo exatamente o que “pregavam” ser errado a não muito tempo atrás.

Eu estou louco? O “cerumano” é louco? O que está havendo? Ou como disse o Fruto Sagrado (título do Post): Será que estamos virando robôs e não estamos bem programados?

Imagino que todos nós somos como esse prisma da capa do Pink Floyd. Recebemos inúmeras informações, inspirações, ideologias, e transparecemos o que nos faz bem, ou o que nos impulsiona a prosseguir na vida. Mas quero acreditar sinceramente que somos donos da decisão de deixar, ou não, passar por este prisma algo que recebemos, mas não concordamos ou não queremos passar a frente. E por fim quero acreditar que carregamos valores de vida do início ao final, mudamos de opinião sim, mas não somos hipócritas nem contraditórios por simples pirraça ou loucura momentânea. Até porque, tudo o que passa pelo prisma atinge algo ou alguém que amamos e que talvez podemos estar afastando de nós mesmo por causa da nossa incoerência. Que o lado de lá, o lado negro, onde estão as informações sem passar pelo nosso crivo e nosso filtro, seja o que mais apareça, e não o que nitidamente está enlouquecendo por causa das circunstâncias que encontramos no dia a dia.

Por fim, utilizo de uma das mais bonitas frases que já ouvi...

…I'll see you on the dark side of the moon!

Termino ao som de Carry On – Angra. Muito a ver com o que eu falei também... Abraços!